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UTI

Dias se alongam enquanto

                                          tantos

Quilômetros longes continuam.

 

O coração sente e des-sente,

Anestesiado por umas férias

Dorme no gelo da ampulheta

A espera da chama

-Me chAMA de volta!

 

Coracao-amor-UTI-sentimento-partido-perda

Jantar à luz do céu

 

Troca de olhares no espaço,

Cometas especiais.

Sol comia pipas cozidas,

Lua, bicicletas crocantes.

Eles brindaram estrelas líquidas

E no encontro de seus lábios

                            Big Bang!

Beijo_do_sol_e_da_lua3

Armadilha

Não foi a flor de escamas

E a voz divina de sereia

Que encantou o pescador,

Foi apenas e tão somente

O seu próprio ideal de amor.

armadilha[1]

I e II













Menina bonita                                                                 Moço trabalhador,
Do laço de fita rosa,                                                        Forte como Aquiles
Ana não cresceu                                                             Meu Pedro, dizia a mãe.
Mas virou moça                                                             Todo dia ele suava
Orrevuá casa d’Barbie                                                   Os pingos fugiam do coro
Go to Amrik, Sozinha.                                                    Sempre tomando banho:
Lá, Ana apreendeu a:                                                     Água fria pra acalmar sonhos,
Jantar direito,comer justiça.                                           Três mijadas do patrão ao dia.
Continuou fina... finíssima                                               Realidade tão encarunchada
E fez friends maneiros.                                                   Que nem escovão desgruda.
                                                          De repente
                                                       Ana conheceu Pedro,
                                                       Pedro conheceu Ana.
                                                   Dê-me um abraço Pedro!
                                                         Me dá um beijo Ana!

Aquarela completa: samba, bolero                                   Ambos cresceram juntos
Eles passavam seus dias jogando                                    Grudadinhos:pão e mortadela
Conversa dentro e sorrisos afora.                                    Um com o outro,dois sem outrem

Dica do poeta: Após ler os dois poemas selecione-os e veja o que eles têm em comum.

Paixão

Primeira vista 
Segunda voz 
Terceiro beijo
Quarto a sós 


Abecedário dos amantes

“atenção, se não estiver apaixonado não leia,
Afinal, todas as cartas de amor são ridículas...”







Amor, Bem, Chero, Loirinha, Adônis, apelidos carinhosos dados
Beijos ao vento mandados e abraços vazios sentidos
Conta-se erros passados, transparecendo o coração sem medo
Discutem quem vai primeiro, quem desliga o telefone, ou paga a conta
Escreve poesias bobas, desenha corações, usa diminutivo
Fixa o olhar num ponto mesmo estando em outro mundo
Gosta de coisas que dantes nem mencionaria ou até detestava
Harmoniza a vida mesmo em momentos tempestuosos
Impulsos que fogem a lógica tomam seu corpo
Jovial torna-se: corre, pula, brinca, grita e faz outras loucuras
Lê as entrelinhas da vida, acorda de bom humor, ri sozinho
Muito se aprende e compreende ao lado do outro
Não é capaz de imaginar-se vivendo sem esta pessoa
Ouve a voz do amado, observa-o num silêncio uníssono
Pensa no que ele irá sentir antes de qualquer ato
Quem ama também briga se desentende e perdoa
Ri das piores besteiras já cometidas, que por sinal são tantas...
Sente ciúmes do sexo oposto que se aproxime muito e ao mesmo tempo pouco
Torna as horas distantes em dias. Ah, bendita saudade!
Um simples olhar do outro o torna feliz, e lhe faz pensar que não merece tudo isso
Vai embora contrariado, por não estar perto do amado 28 horas por dia
Xaveca o tempo todo, afinal, um dia pode ser impossível dizer eu te amo
Zangar-se? Só um pouquinho,é claro, não querendo dar o braço a torcer
Veja, faltaram letras no alfabeto para lhe dizer o quanto amo e preciso de você!

Coisas do amor

Poema dedicado a
Renan Osvaldo Pacheco

O que você faz ao ganhar uma rosa?
Recusa com um tapa?
Ignora com olhos alheios?
Ou agradece como beijo?



Muitos tapas e olhos ausentes
De mim ganhaste, eu sei...
Também penso em quantas rosas de ti neguei
Mas a razão cegava meus sentimentos
Não me pergunte quando ou o porquê mudei
Labirintos do coração, talvez...
Aqui venho
Não só para retribuir-lhe as rosas
(Nunca mais com tapas ou olhos alheios)
Mas para lhe dar as minhas:
Não só escritas, pois
Palavras, como você mesmo dizia
Às vezes não valem nada
Não acredite no que falo
Só com gestos e olhares,
Beijos e abraços (se a distância nos permitir)
Darei a você as minhas rosas
Que mostram o mais puro sentimento
Elas dizem eu te amo...

Águas rasas

Subi estrondosas montanhas
Enfrentei ruidosos trovões
E cai em águas rasas...

Travei batalhas, como fina árvore ao vento
Mas não atrevi-me a tocar escondido peito
E descobrir novos inimigos dos quais temo

Até que debruçada na janela
Degustando a calma,
Libélulas avisaram-me sua chegada


Me acordas e drasticamente transforma
Para mundo o sou de novo infanta
Apaixonada, tua beleza me encanta


Livro instigante que não paro de ler
Como chocolate, compulsiva vontade de ver-te.
Alegria, negra nuvem que cega e inebria.

Desvairada por teu sorriso meus passos o seguem
E o coração, como inimigo
Para o ponto mais alto leva-me


Na grama do abismo
Libélulas morrem, o vento alarma:
O que faço aqui contigo... Tiraste minha calma!


Sem saída, volto para a vida
Na janela debruçada
Relembrando histórias dantes escritas:


Subi estrondosas montanhas
Enfrentei ruidosos trovões
E cai em águas rasas...