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Desmedida

Virou-se a noite toda

sonhava uma posição menos dolorida

As roupas não serviam mais.

 

Vomitar era rotina

fazia força, eliminaria tudo pela boca

As roupas não serviam mais.

 

Sentia-se como um ventilador

que pifa em dias infernais,

As roupas não serviam mais.

 

Percorrendo indícios

Os policiais concluíram:

Um suicídio e um homicídio

As roupas já não lhe serviriam

                 [mais.

 

boneca

 

 

 

 

 

 

Minha contribuição para Fábrica de Letras.

Lucidez labiríntica

Se tropeçar no novelo

Vejo e finjo que não,

            “Négà vu”.

 

Deixei o mundo ir

Sem mim, mesmo.

 

Um último-intímo desejo:

me perder nesses becos

encontrar O tal

Minotauro

e dizer-lhe:

  Não tenho medo.

 

labirinto

 

 

 

 

 

Minha contribuição para Fábrica de Letras.

Escunábulo









Caiu de nenhum lugar
Do céu aos pés de João.

Esfregou,
Esfregou, em vão.
Olhou. Cheirou.
Escutou.Lambeu.
Chutou...

Nada, nadica
Não vendeu na loja,
No feijão ficou duro,
Nem de enfeite serviu .

- Joga fora João!
- Não joga não!

O homem escolhido
Saiu de casa com dois pregos na boca,
A maior escada que tinha numa mão
E o Bendito Escunábulo na outra.

Sofisma

Sob as sombras do solstício
Um rei soez ao trono subiu,
Para ser sobre-humano o sonho:
Ter o oceano sob seu domínio.

O rei solicitou aos soldados e súditos
Uma solução para seu tormento.
Sem resposta, consultou o Deus Sol
E sentindo seu sopro, ao mar saltou.


Mas o soberano não sobreviveu,
Mesmo sóbrio, nadar não sabia
Então soçobrou antes do socorro.


E desta elegia só sobrou
                         A soberba...
                            E um falso soneto.